As redes sociais são hoje ferramentas mundiais de uso de praticamente todas as faixas etárias e classes sociais, vencendo barreiras territoriais, facilitando negociações, comunicações e aproximações. Mas e quando o uso se torna vício e quando o vício prejudica a vida pessoal e consequentemente a saúde mental? É sobre isso que vamos conversar no texto de hoje.

Nesse texto vamos refletir sobre:

  • O mau uso das redes sociais;
  • Como o conteúdo das redes sociais afeta a saúde mental;
  • De que maneira exercitar um uso mais consciente.

           Com o fim dos likes nas publicações do Instagram, como medida adotada para que os usuários foquem nos conteúdos e menos em competição de curtidas, reacendeu-se o debate sobre a rede social em questão e a saúde mental de quem a utiliza.
           Em algum momento você se pegou comparando a quantidade de curtidas em suas publicações ou até mesmo o número de seguidores do seu perfil com o de perfis de pessoas famosas e digital influencers? Você já se sentiu infeliz com a própria vida ou com a sensação de que sua vida é entediante ao olhar as fotos do Instagram de alguém que viaja muito e parece ter a vida perfeita? Ou até mesmo precisou desativar alguma rede social por um tempo, por sentir que o conteúdo estava o afetando negativamente?
           Todos esses questionamentos são de situações reais e cotidianas de milhares de pessoas atualmente. Se você fizer um teste em alguma rede social perguntando sobre a relação entre o uso das mesmas e a saúde mental, as respostas tenderão para o negativo. Mas por que cada vez mais nós debatemos sobre isso e cada vez menos exercitamos o desapego e o controle do uso dessas ferramentas?

Positividade Tóxica

           Nas redes sociais impera a lei do melhor e perfeito, as pessoas estão empenhadas em mostrarem o melhor que elas têm da maneira mais perfeita que puderem. Não é comum mostrar as fraquezas, as imperfeições, a espontaneidade e quando isso é feito, nem sempre é genuíno. A impressão passada é que todos são felizes, que tem a vida perfeita e que isso precisa ser constantemente reforçado pelos registros, como se a vida só tivesse validade a partir do registro público e compartilhado de cada momento.
           Para alguns, até mesmos os dias difíceis são encarados como necessários para gerar conteúdo, porque a ausência dessas redes é lida e vista pelos “algoritmos” e pelos seguidores como queda de alcance do conteúdo. Para isso, é varrido para debaixo do tapete os problemas, as angústias, a fim de colocar um sorriso no rosto e mostrar que está tudo ótimo nos stories do Instagram.
           Entretanto, é importante lembrar que todos os sentimentos são necessários e precisam ser expressados, a tristeza faz parte da constituição do ser humano e precisa ser vivida e sentida para assim, dar espaço a outros sentimentos. Quando você deixa de se expressar, você deixa de sentir e quando você deixa de sentir, perde a capacidade de entender aquele sentimento e a oportunidade de enxergar o que isso pode lhe ensinar.

O Mau Uso

           Passar tempo demais preso às redes sociais é estar refém de uma parcela da própria vida enquanto perde momentos importantes e relevantes com as pessoas à sua volta. A internet existe para estar a seu favor e não para escravizar você e ditar seu modo de vida, você não deve depositar a maior parte de seu tempo, suas expectativas e idealizações numa rede que conecta diferentes modos de vida e esperar que isso não reflita na sua saúde mental de forma negativa.
           Ficar insatisfeito com a vida que tem porque a do outro parece ser melhor, mais interessante e bonita. Encontrar defeitos em si mesmo que antes não notava e não o incomodava, porque diariamente assiste a vídeos sobre procedimentos estéticos e de beleza. Sentir-se infeliz com o próprio corpo ao se comparar com os padrões de beleza atuais. Comparar-se com essas figuras e com o padrão de vida inatingível, se auto sabotar e como consequência, sentir-se com baixa autoestima, tudo isso permeia o mau uso das redes sociais.

Os Reflexos na Saúde Mental

           Ao depositar suas idealizações em pessoas que você segue/admira nas redes sociais, você está tomando para si um modo de vida incompleto e desconhecido, já que ninguém revela totalmente tudo o que vive. O que você vê é somente uma parcela da vida desse alguém, assim como a parcela de você mesmo e de sua vida que você divide aqui e ali nos espaços que interage.
           A baixa autoestima nem sempre se trata da insatisfação com a própria aparência, mas também de se sentir fracassado e descartável, como se a sua vida fosse um erro e que você não tem capacidade de conseguir o que deseja. É nesse momento que você compara o que você tem e vive com a vida daqueles que acompanha e além de desvalorizar a si mesmo e suas experiências, você acaba buscando coisas que talvez não precise. A insatisfação gera necessidades que antes você não enxergava ter.
           Você deixa de viver encontros genuínos com sua família, com seus amigos, com as pessoas que ama e estão ao seu lado, para estar conectado com aqueles que estão longe e acaba perdendo os detalhes que só a vida real proporciona. Você negligencia suas relações quando prioriza aquilo que é parcial e manipulável e deixa de se presentificar nos espaços em que o conectar não é necessário. A necessidade de estar num lugar e ter o celular em mãos para conferir repetidas vezes o feed do facebook e/ou instagram, -mesmo sabendo que não há nada de novo nem relevante-, exemplifica o quanto todos nós estamos perdendo a capacidade do diálogo pessoal e usando a internet como fuga.
           Você adoece quando deixa de reconhecer suas conquistas e potencialidades por se comparar e se diminuir ao se basear num perfil que não reflete a vida real daquela pessoa. Frustra-se porque tenta buscar atingir e ter aquilo que enxerga nas redes sociais e quando não consegue, atribui menos valor a si mesmo e a própria vida. Acaba se isolando, porque não enxerga mais quem está ao seu lado e enquanto a vida real segue diante de ti, você perde porque está preso a uma tela.

Conscientização

           Diante de tudo que foi discutido, como podemos pensar em estratégias para manter um uso menos prejudicial e mais consciente? É importante estabelecer um tempo de uso e se policiar para vencer o vício de estar conferindo a todo momento as redes sociais, entendendo que não existe nenhuma urgência para isso.
           Separar momentos para fazer outras atividades que lhe dão prazer e que notou que deixou de lado ultimamente por estar sempre conectado, como: ler um livro, assistir a um filme/série, passear, encontrar com os amigos, se reunir com a família, etc. Exercitar o desapego: ir à lugares e não levar o celular, ou tentar não usá-lo, estabelecer lugares em que não seja necessário estar conectado, mas sim estar presente com as pessoas a seu redor.
           Prestar mais atenção a si mesmo, em suas qualidades e potencialidades, naquilo que você tem aptidão, e usar isso a seu favor nas redes sociais. Dividir seus interesses e opiniões com as pessoas, de modo que você possa olhar para si mesmo de uma maneira mais atenta e reconhecer que você é único e singular graças a seu modo de ser e pensar.
           Evitar se comparar com outras pessoas e se pressionar para alcançar e atingir padrões e metas que você talvez nem queira, nem precise em sua vida. Cada um está vivendo uma luta diária da qual não sabemos, lembre-se que cada um tem seu tempo próprio para conquistar aquilo que quer.
           Por fim, use as redes sociais como uma ferramenta genuína. É importante você analisar o quanto tem exposto de si mesmo e da própria vida, o quanto tem de você no conteúdo que compartilha com os demais e dosar a maneira como você se comunica, sem se privar de expressar-se. Lembre-se, ninguém é perfeito, nenhuma vida é sem problemas e ninguém é feliz o tempo todo.

           Se você se identifica com o que foi tratado neste texto: insegurança, baixa auto estima, competitividade por atenção nas redes sociais, talvez algo nisso tudo o esteja incomodando! Para conseguir recuperar o controle emocional e utilizar as redes sociais com disciplina e consciência, realizar terapia psicológica pode te ajudar.
           No site Expire Psicologia, você pode agendar uma sessão de terapia online comigo, para conversarmos sobre como você está se sentindo, não apenas em relação às suas redes sociais, mas também, em relação aos seus problemas e angústias. Como falei anteriormente, ninguém é perfeito e sempre haverão obstáculos para serem superados!
           Com a terapia online, você poderá conversar comigo através do seu computador ou smartphone e realizar suas sessões no conforto, segurança e privacidade da sua casa, ou de onde você estiver, precisando apenas de uma conexão com internet!

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