Estreando nos cinemas Brasileiros no dia 29 de março, o filme Dumbo me trouxe uma grande reflexão nas últimas semanas. Desde o momento em que vi o primeiro trailer do longa, que se lança sob direção de Tim Burton, comecei a refletir sobre como cada um de nós possui um dom, mesmo que este seja subestimado por nós mesmos!

Neste texto vamos refletir sobre:

  • A importância de sermos autênticos.
  • Porque julgarmos as atitudes dos outros exageradamente podem nos atrapalhar.
  • Devemos ser tolerantes com quem é diferente.

No caso do elefantinho, apesar de nascer com uma estética diferente dos demais elefantes - uma orelha fora dos padrões, este possui uma habilidade mais do que especial, principalmente para um elefante. Voar! Batendo suas enormes orelhas como se fossem asas, Dumbo alça voo, mostrando que ser diferente é algo extraordinário.

Assim como Dumbo, quantas pessoas não se percebem fora dos padrões estabelecidos pela sociedade? Ainda vemos as exigências conservadoras que ditam as regras, afirmando que devemos ter o corpo perfeito, o cabelo impecável, roupas da moda, um relacionamento estável, isso quando essas exigências não apelam para a sexualidade e religião. Há aqueles que preferem tentar padronizar a sociedade, porém, hoje em dia, no Brasil essas ideias conservadoras vão perdendo espaço para a autenticidade do povo.

Já conseguimos observar de uma forma ampla a singularidade de cada ser. Percebemos que se todas as pessoas fossem iguais, a vida seria monótona e sem cores. Não haveria pelo que argumentar ou lutar, haveria apenas uma concordância enjoativa e deprimente. Contudo, somos diferentes, e não temos como negar isso.

As diferenças vão além do que aparentamos ser, estão dentro de nós, em nossos pensamentos, sentimentos e atitudes. E quando condenamos o outro por ser diferente, podemos estar perdendo a oportunidade de alçar vôo junto à ele.

Então, porque muitos se escondem atrás de uma  máscara? Por medo de não ser aceito pela família, talvez. Ou por medo de se sentir sozinho. O fato é, sempre buscamos a aceitação social e desejamos fazer parte de um determinado grupo. É assim que as sociedades se constroem, baseadas em regras que devem ser seguidas e papéis sociais a serem respeitados. Isto não é algo ruim, afinal, estamos o tempo todo lidando com diferentes pessoas e situações, e regras são necessárias para que tudo ocorra em perfeita harmonia. Porém, nas últimas décadas, percebemos o quanto esses papéis sociais e regras foram se modificando.

Houve um tempo onde todas as mulheres se vestiam com roupas semelhantes, não podiam votar, nem expressar suas opiniões, por exemplo. E tudo mudou. Não há mais espaço para certos costumes e estamos cada vez mais livres dos moldes em nossa sociedade. Hoje em dia, podemos vestir-nos mais à vontade, nos expressar com maior liberdade, sem vergonha de sermos nós mesmos.

Lembro de quando eu estive em Londres há uns meses atrás e observei como as pessoas estão cada vez mais únicas e diferentes umas das outras. Em uma metrópole como esta, a tolerância à diferença (e o respeito), fazem parte do convívio social.Tive a sensação de que em Londres, você pode ser do jeito que quiser, agir como quiser, desde que respeite as regras para uma boa convivência, as pessoas não parecem realmente se importar (ou se incomodar) com o que os demais irão pensar delas.

Podemos levar essa realidade para grandes cidades brasileiras, como São Paulo, onde as diferenças também aparecem misturadas em meio à uma sociedade que está aprendendo a lidar com essas mudanças. Aos poucos vamos percebendo que muitos não querem se esconder em máscaras sociais, querem apenas ser quem são.

Porém, parece que aprendemos a julgar as atitudes dos outros desde cedo. Principalmente quando estas não correspondem às nossas expectativas. Esse julgamento apenas nos prende à novas amarras, onde, ao julgar o outro, acabamos por nos prender ao que acreditamos, sem nos dar a chance de observar as coisas através de uma nova perspectiva.

Não é errado mudar de ideia quanto à um valor específico. Os valores e costumes são mutáveis e isso é completamente saudável para qualquer civilização. Muitas vezes, nos apegar à velhos costumes apenas cria mais obstáculos ao nosso redor, principalmente quando a nossa sociedade já não tem mais espaço para antigos conceitos.

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O filme Dumbo me fez refletir sobre como as diferenças em nossa sociedade são importantes, elas nos ensinam como conhecer o diferente e aceitá-lo com respeito, podendo então, alcançar a plenitude de ser quem nós realmente somos, sem nos importar com julgamentos que já não são relevantes para nossa construção pessoal.

“E cada instante é diferente, e cada homem é diferente, e somos todos iguais.”

Carlos Drummond de Andrade